Como ensinar Lógica de Programação para jovens e crianças
Logica de programação para crianças e adolescentes

Como ensinar Lógica de Programação para jovens e crianças

Nesse artigo vamos discutir um pouco sobre como é importante adaptar os conteúdos de programação para crianças e adolescentes. Essa adaptação é um fator essencial para manter o público engajado e comprometido com as tarefas. Portanto, um erro nessa adaptação pode transformar a experiência de programar em algo frustrante, podendo inclusive gerar um trauma e uma visão distorcida do que é a ciência da computação. 

Antes de qualquer coisa: é possível?

A primeira dúvida que surge quando pensamos no ensino de lógica de programação para crianças e adolescentes é se esse conteúdo tão denso pode ser aprendido tão cedo. A resposta é: sim, é totalmente possível.   

No Brasil, existem problemas no ensino deficiente das escolas públicas. Estas instituições carecem urgentemente de iniciativas que fortaleçam o ensino técnico.  Alguns anos atrás o governo federal lançou projetos como os Institutos Federais e também criou programas que distribuíam bolsas de apoio (PRONATEC). Porém, a situação atual não é muito animadora. Não é difícil ver a falta de recursos nestes projetos e as instituições também reclamam por conta da falta de incentivo à educação.   

As universidades desempenham um papel fundamental na formação de profissionais de diversas áreas técnicas. Além disso, muitas delas sabendo da importância dos projetos de extensão, desenvolvem atividades paralelas de incentivo ao ensino de programação.   

A ciência da computação é muito ampla e seus conceitos podem ser aplicados em diversas áreas. Sendo assim, mesmo que um aluno não siga a carreira de programador ou cientista da computação, o contato com a programação ajuda a ativar a capacidade de pensar e solucionar problemas complexos. Apesar de parecer trivial, a prática de aprender a solucionar problemas de forma mais eficiente pode auxiliar as pessoas a lidar com desafios dentro de outras áreas.

Uso de Técnicas adaptadas

 Mesmo sabendo de todos os benefícios que a programação pode proporcionar aos jovens, ainda podemos afirmar que adaptar o ensino é um desafio. É preciso que os professores saibam adaptar os conteúdos ensinados para o público mais jovem, tornando o ensino mais leve e divertido.  

Pense, por exemplo: o que aconteceria se você inserisse um aluno de 10 anos em um curso de ciência da computação na disciplina de Algoritmos?   

Na aula de lógica de programação os professores pediriam: implemente um sistema que mostra o fatorial de um número; ou então: avalie se um número é primo ou não. Em primeiro lugar, ele não tem nem ideia do que é um fatorial, além disso, mesmo que ele soubesse o que é, tudo isso seria muito chato. Sendo assim, fica claro que esse tópico precisa ser adaptado para ser exibido para esse público.   

Visando adaptar a lógica de programação para crianças, vários pesquisadores publicaram sugestões de como fazer isso. Um exemplo é o artigo publicado na conferência Informations Systems and Tecnologies (CISTI), no ano de 2015 que mostra um projeto de iniciação científica retratando como é possível usar os robôs da Lego para ensinar lógica de programação. Este artigo está acessível na IEEE no seguinte link:   http://ieeexplore.ieee.org/document/7170521.

De acordo com a autora,  a construção de algoritmos e desenvolvimento de softwares é uma tarefa difícil para os iniciantes, pois exige uma percepção de que as ações do dia-a-dia podem ser enumeradas, sequenciadas e estruturadas [1]. Vários estudos mostram que o número de reprovações nas disciplinas de lógica de programação é preocupante.

Os cursos do Departamento de Computação (Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Software e Engenharia da Computação) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Cornélio Procópio, colaboram com estes estudos. Cerca de 55% (em um universo de 120 por semestre) dos alunos matriculados nas series iniciais dos cursos do Departamento reprovam nas disciplinas de Lógica de Programação, Algoritmos e Estrutura de Dados.   Para verificar a viabilidade de aplicar a robótica para o ensino da programação foram realizados experimentos com quatro alunas do Ensino Médio do Colégio Monteiro Lobato, da cidade de Cornélio Procópio, Paraná – Brasil.  

Resultados Obtidos com os experimentos

Após mostrar o funcionamento dos robôs para diversos alunos da rede pública, as alunas do Ensino Médio foram submetidas a três desafios: o primeiro denominou-se Circuito Cidade e envolvia a utilização dos motores, do sensor de cor e do sensor de toque. O segundo denominou-se Guarda-roupa, no qual o objetivo era encontrar um determinado vestuário condicionado pela cor. Já com o terceiro pretendeu-se envolver todos os conhecimentos explanados, portanto, o desafio Zoológico exigiu a utilização de vários sensores e estruturas de programação.  

Os resultados apontam que a inserção da robótica possibilitou a imersão de alunos do Ensino Médio ao ambiente de programação, promovendo novos conhecimentos e desenvolvendo a lógica computacional. Além disso, viabilizou a prática dos conteúdos pertencentes ao Ensino Médio, em especial geometria e mecânica, levando o conhecimento para além da sala de aula. 

Portanto, o ensino de programação com o kit de robótica resulta em um aprendizado lúdico e de alto nível intelectual, sendo um meio recomendável de ensino. Pretende-se expandir este projeto para outros alunos do Ensino Médio por meio de oficinas de ensino, como também a comunidade universitária, além de divulgar e incentivar a proposta em palestras, feiras e eventos.    

A programação é uma disciplina que pode ser mágica para crianças e adolescentes se ensinada da forma correta. Atualmente, diversas carreiras pedem muitos anos de experiência, sendo assim, é necessário começar mais cedo para ter sucesso nesse mercado tão competitivo. 

Referências

1. A. Vahldick, F. B. V. Benitti, D. L. Urban, M. L. Krueger and A. Halma
“Using Lego Mindstorms in support of Computer Programming Education”
[medium:online] Available:
http://www.lbd.dcc.ufmg.br/colecoes/wei/2009/018.pdf

Vinicius dos Santos

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